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20/04/2023

Estudos Voltados à Liberação Controlada De Fertilizantes Auxiliam na Redução de Custos na Agricultura

Pesquisa desenvolvida no PPG em Tecnologia Ambiental da Unaerp contribui para melhoria de distribuição de nutrientes para as plantas
Ribeirão Preto


A produção de grãos, seja de cereais ou de oleaginosas, tem grande força na alimentação mundial. Soja, milho, arroz, feijão, trigo e algodão estão entre os principais grãos produzidos no Brasil, que assume a quarta colocação na produção mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. 
Segundo levantamento divulgado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a produção de grãos aumentou mais de 600% nos últimos 46 anos, sem ampliar a área plantada em grandes proporções, representando 161,5%. Esse cenário torna-se um desafio para o agronegócio, visto que, em resposta ao crescimento populacional mundial, a demanda por alimentos deve aumentar mais de 50% nos próximos 30 anos, apontam estudos da Universidade de Wageningen. 
Diante da necessidade do aumento da produtividade dos alimentos e a grande dificuldade em aumentar na mesma escala a área plantada, estudos direcionados à liberação controlada de fertilizantes são desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp, sob coordenação do professor Ricardo Bortoletto-Santos. 
Nesse contexto, são feitos e estudados materiais para o revestimento na superfície de diferentes nutrientes, utilizando materiais biodegradáveis e de baixo custo, principalmente derivados de óleos vegetais, como óleo de mamona, e matrizes de amido ou mandioca, por exemplo. São desenvolvidas, dessa maneira, tecnologias e materiais que permitem ter esse controle e ajustar a liberação do fertilizante, a partir da sincronização com a demanda da planta, buscando uma melhoria na distribuição dos nutrientes e a redução de perdas por consequência.  
“Os fertilizantes comerciais que temos hoje, principalmente os granulados, apresentam alta solubilidade, fazendo com que o nutriente esteja rapidamente disponível para a planta quando aplicado no solo, só que a planta não absorve tudo de uma única vez. Por exemplo, a ureia pode ter metade do que foi aplicado perdido e no caso do fósforo, dependendo de alguns fertilizantes, essa perda pode chegar até 80%. É uma perda, de fato, muito alta do que poderia ser aproveitado pela planta”, explica Bortoletto-Santos.  


Materiais biodegradáveis são utilizados como revestimento na superfície dos fertilizantes

USO EM SEMENTES – Os materiais utilizados na liberação controlada permitem ainda a adição de outros componentes, a exemplo de argilas e até mesmo alguns microrganismos, como fungos ou bactérias benéficas para a planta. “Hoje um dos microrganismos que está sendo bem explorado, a nível industrial e a nível de pesquisa, são os microrganismos para a parte de biocontrole. Você tem uma praga ou algo do tipo, e em vez de você entrar com um defensivo agrícola, um agente químico, acabamos fazendo essa mediação e controle a partir de um microrganismo”, diz o pesquisador. 
Além disso, o revestimento empregado na superfície não se limita à aplicação em fertilizantes, podendo também ser utilizado em sementes, segundo Bortoletto-Santos. 
A tecnologia auxilia na redução dos custos na agricultura e contribui com o meio ambiente, já que introduz um agente biodegradável no solo. “O agro busca desempenho, porque ele tem que manter ou aumentar a produtividade, então se o produtor quer aumentar o desempenho e ainda reduzir custos, não é fácil. A palavra-chave aqui são novos materiais que se ajustam a esse tipo de necessidade. Esses materiais não são necessariamente mais caros e são de uma base natural, o que é outro apelo”, destaca o coordenador do Programa de Pós-Graduação de Tecnologia Ambiental, professor Murilo Daniel de Mello Innocentini.
PARCERIAS NO SETOR – Os trabalhos de pesquisa são desenvolvidos em cooperação com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), referência nacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, e instituições como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UfSCar) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). O Programa de Pós-Graduação também possui parcerias com universidades estrangeiras e com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture – USDA).


Liberação do fertilizante é feita a partir da sincronização com a demanda da planta